Em condições normais, passeando, acompanhado e distraído no shopping, duvido você conseguir distinguir em qual dos dois lixeiros identificados você deveria jogar os resíduos do seu lanche.

Eu já tentei várias vezes e é impossível de fazer na mesma fração de tempo que damos 3 passos (o tempo de passar por uma lixeira e sair do alcance dela).
Talvez por conta da suposta baixa adesão popular, o Shopping Pátio Belém, em Belém do Pará, desistiu da ideia de fazer essa coleta seletiva de lixo (essa foto foi registrada antes da remoção das plaquinhas).
É muito cômodo culpar o usuário (neste caso, o cliente do shopping) por não cooperar com a coleta seletiva, mas raramente se pensa na questão funcional que envolve esse processo.
Assim, fazer as pessoas lerem, não é exatamente o problema. Um número grande de ícones para representar todas as expressões escritas levaria ao mesmo problema.
O principal problema está na categorização e identificação dos detritos (ou taxonomia, para usar o termo correto).
Reparem que essa não é uma coleta seletiva tradicional. É apenas baseada na separação de restos de comida do restante do lixo. O que é imensamente mais simples do que uma coleta seletiva completa, que separa o papel do metal, do vidro, do plástico e do resíduo orgânico.
Todo o lixo reciclável seria, portanto, separado posteriormente. Enquanto os restos de alimentos seriam descartados totalmente. Isso é tudo. Mas mesmo assim a forma como classificaram as duas lixeiras não passa esse recado.
Ninguém anda com metais ou vidros no shopping, as pessoas carregam latinhas e garrafas de refrigerante (na verdade, apenas latinha, nao vendem garrafas em shoppings). Lata é a mesma coisa que metal? Tecnicamente, para qualquer pessoa, é óbvio que é. Mas no design, faz toda diferença. Da mesma forma, “lixo orgânico” não é o que as pessoas carregam em shopping. As pessoas levam alimentos, lixo é apenas depois que elas descartam.
Não é que o usuário seja preguiçoso, é que diante de tantos estímulos visuais, no momento da distração, o menor esforço interpretativo amplia enormemente a chance da mensagem ser captada.

Note a diferença que ocorre quando mudamos algumas expressões. A justificativa para usar preto e branco é porque não podemos usar as cores que convencionalmente são utilizadas para a coleta seletiva de lixo, pois associariamos incorretamente ao esquema de cor que identifica cada material reciclável. Ainda assim é possível fazer uso do contraste para marcar de maneira forte a diferença entre as lixeiras, aumentando a propensão à leitura das placas.
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