Exame e Negócios competem no mercado editorial de revistas de negócios com abordagens completamente diferente. Inicialmente reinava onipresente a Exame, durante anos a única fonte de informação nacional sobre o mundo dos negócios, com temas que tratavam de carreira, gestão, marketing, inovação, sustentabilidade, crise e outros modismos (exatamente nessa mesma ordem). Pouco mais de 2 anos atrás surgiu a Época Negócio que, para fazer jus aos assuntos que escreve e defende, inovou tanto no projeto gráfico, quanto no editorial, para diferenciar-se e buscar um vantagem competitiva que pudesse fazer frente a já culturalmente consolidada e tradicional Exame.
Visual da “antiga” Exame
A ruptura com os padrões estéticos “quadrados e burocráticos” da rival Exame foi total e a mais visível das faces da Negócios, uma revista que acabava de chegar ao mercado editorial para competir e tentar vencer num terreno com poucos competidores e boas perspectivas de crescimento. Acompanhando a mudança do perfil do empresário moderno, representado pela ascensão ao poder de uma geração que nasceu num mundo multicultural, informatizado e refletindo o modelo descontraído da cultura Google, a novata já chegou sem gravata, num clima de “casual friday”.
A Negócios, literalmente, coloriu a revista. As páginas tem um visual vanguardista, as páginas são desenhadas, notadamente um pouco confuso as vezes, mas sem dúvida capaz de oferecer uma experiência visual mais rica, com um algo a mais a ser explorado pelos olhos. Os grafismos com cores fortes dão uma personalidade própria a cada edição diferente: yellow, cyan e magenta. De fato, cada nova edição tem a contribuição artistica de profissionais ilustradores, fotógrafos, designer e outros. Se eles pagam por isso ou apenas “convidam”os artístas para apresentarem seus trabalhos digrátis, como faz o Google, eu não sei.
Parece propaganda, mas é conteúdo editorial
O contraste é muito marcante em cada página e o ritmo é marcado por essas variações latente de tamanho na tipografia, fotos, janelas etc. Outro ponto que merece uma atenção especial foram as fotos. Deixou-se de lado a fotografia registro para dar lugar a produção fotográfica. As imagens ganharam importância na forma de uma produção mais criativa, descontraída e ousada ou com uma pós-produção no photoshop (muitas vezes exagerada e mal feita, como no sharpen ultra exagerado no rosto do Bill Gates que o transformou numa múmia de 500 anos). As vezes o propósito estético das páginas é tão intenso que não raro fica difícil distinguir uma página de propaganda de outra de conteúdo editorial. Com o tempo acostuma-se, é necessário alguma prática.
Apesar dos tropeços, não pode se dizer que a Negócios peca por não tentar. A experimentação visual para uma revista com perfil moderado, para homens de negócios é uma aposta arriscada. Mas a prórpia história dos negócios mostra que uma inovação, vencida a resistência inicial, torna-se fluída e perfeitamente assimilada pelo público consumidor ao ponto de atingir seu objetivo de transforma-se num diferencial competitivo.

A Exame tenta caprichar mais nas produções fotográficas
Isso não apenas é verdade, como a própria reação da Exame com algumas sutis mudanças na linha gráfica e editorial parece acusar o golpe. No final do ano passado a Exame apresentou um novo projeto gráfico. Na verdade tratava-se mais do mesmo. Ou seja, nenhuma grande mudança de fato, apenas novas seções, mudanças no cabeçalho e ajustes comédicos. Mas nas útimas semanas a Exame apresentou sem nenhum alarde um “novo” projeto gráfico. A reação veio com umas novidades que pareceram ter pegado carona em algumas ideais da Negócios. A Exame parece querer manter seu “tradicionalismo” visual, sem no entanto deixar envolver o leitor com uma experiência estética agradável, visualmente rica e elegante.







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