Criatividade nas eleições é maior do que nas empresas

Acabou. Em Belém, Duciomar Costa venceu a eleição e se reelegeu para prefeito. Certamente ninguém vai sentir saudades da sujeira, propaganda obrigatória e todo tipo de bagunça por toda a cidade proporcionada pelo período eleitoral (exceto quem fatura alto nesse período). No entanto, esses dias de campanha trazem consigo momentos peculiares para o profissional de comunicação. Em nenhum outro momento da história desse país, de Belém ou de tantas outras cidades brasileiras – que se repete apenas de 2 em 2 anos – vê-se tanta criatividade na comunicação. (continuar lendo)

Parece ironia, mas não é. Nas eleições dá para observar um legítimo renascimento das idéias, uma verdadeira sacudida que ecoa por todos os cantos da cidades. Claro que não me refiro das idéias para melhorar nossa cidade, que continuará a mesma coisa de antes, mas as idéias para ganhar votos e vencer. Parece que é somente nesse clima de competição direta e intensiva que a comunicação paraense consegue mostrar uma face verdadeiramente criativa. Tudo de inovador, ousado e inteligente que os comunicadores não fazem ou não conseguem fazer quando deveriam para ajudar seus clientes a vender mais, parecem ficar reprimido para florescer no período eleitoral.

Entre jogar cascas de banana e desviar de outras, percebe-se claramente a orientação dos marketeiros e estrategistas por trás de tudo que fazem e falam os candidatos. Diante da necessidade constante de atacar o próximo e neutralizar o ataque adversário, não dá pra ficar no jogo de comadre que no geral orienta a comunicação monótona, medrosa e sem graça do cotidiano. Parece que é mesmo a necessidade a mãe da criatividade.

Só para citar dois momentos inteligentes e ousados, temos a comparação da candidata de direita a uma boneca Barbie (“filha isso é muito caro, isso não é pra pobre”) ou o candidato Dudu tirando uma casquinha do Lula, até mesmo comparando sua história de vida a dele (“assim como o presidente Lula, eu nasci pobre, fui taxista”), neutralizando o apóio do presidente ao candidato adversário. Na minha opinião foram dois momentos decisivos e marcantes dessas eleições e sobrou para a candidata que não teve uma boa orientação para neutralizar esse ataques, levou uma lavagem nas urnas e voltou mais cedo para seu castelo de diamante.

Fico imaginando como a comunicação em nossas cidades poderiam ser divertidas e inteligentes o ano inteiro sem, necessariamente, termos que levar junto toda a sujeira, mentira e baixaria dos candidatos. Ou seriam justamente essas verdades sujas que tornariam o discurso mais interessante? Na dúvida, prefiro não arriscar, eleições de ano em ano já!

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