Essa semana o Oportunidade Belém, da Lorena Goretti, fez uma enquete sobre o piso e teto salarial dos profissionais da propaganda em Belém, Pará. Postando como anônimos, dezenas de pessoas comentaram seus salários. Entre salários e pedradas, deixei minha sugestão sobre a questão, que reproduzo a seguir.
Na verdade acredito que um dos principais problemas é que ainda exista uma idealização da profissão que impede que o mercado cresça e sejamos recompensados de maneira mais adequada. Quando os critérios de avaliação são tão somente valores intangíveis como criatividade, estética etc e o tal “insight” só vêm depois da meia noite, o camarada acaba desencontrando com o horário do chefe e perdendo a chance de pedir aquele aumento.
Portanto, um ponto que eu considero importante é trabalharmos em parceria com os empresários pela profissionalização da gestão do nosso mercado. Produtividade, cumprimento de metas, respeito aos horários e prazos são todos valores que deveriam ser mais cultivados dentro das agências. Enxergo que as vezes falta ao funcionário essa orientação focada na objetividade e produtividade. Sei que vou ter que desviar de alguma pedras ao dizer isso, mas no meu ponto de vista vale mais um trabalho “muito bom” executado em um hora do que um trabalho “ótimo” que custou um dia inteiro.
Outra coisa que faz falta é um “mini” plano de carreira. Em pouquíssimas agências de Belém existe uma especialização de tarefas, todos irremediavelmente são diretores de arte ou redatores. Isso impede que as pessoas enxerguem onde estão e até aonde podem chegar. O mercado nivelou o termo “diretor de arte” por baixo e hoje supostamente todos atingiram seu limite profissional. Pessoas com salários tão díspares como R$ 600 e R$ 6000 são diretores de arte. Isso não é nada estimulante, heim? Uma segmentação não só estimularias as pessoas a conquistarem melhores posições como tonaria as agências mais dinâmicas e organizadas, funcionando como uma linha de montagem moderna.
Jorge Sá

Sr. Jorge,
Agradeço a sua colaboração em postar uma matéria de suma importância para o mercado. A banalização do designer (uns conseguem escrever “desing”, chamando-se diretores ainda) consegue fazer coexistir um profissional que executa um mesmo serviço que outro em uma mesma agência e os dois não ganham o mesmo. Entretanto, haveríamos de rever primeiro a profissão. Primeiro porque muita gente que está ai só sabe mesmo é mexer no Corel (curso é o que não falta). Depois tem gente que nunca viu uma produção de verdade e nem sabe o conceito de Brainstorm (ou outros pertinentes à área, citei apenas um). Reunião de Brieffing em uma agência “mediana”, então…
Já encontrei gente que faz design gráfico de primeira. Gente que trabalhou em um time de primeira. Gente que é formado em curso de primeira. Mas consegue fazer cada catástrofe… Repare que não falo apenas do pessoal de Belém, neste último caso: Já vi peça ruim vindo de São Paulo!
Fiz uma revista recentemente na qual o anúncio vinha sangrado e fechado. O problema é que o cidadão que o fechou enviou um arquivo em BAIXA RESOLUÇÃO e sem margem para a sangria… Ou seja, se for para resolver o problema mesmo precisaríamos passear por toda a cadeia produtiva (Fotógrafos, Redatores, Tratadores de imagem, Ilustradores e Arte-finalistas). Já trabalhei com bons fotógrafos, mas também já trabalhei com gente que ajudava mais a atrapalhar (pense em fotos que só dá para visualizar no Photoshop e, ainda assim, abrindo).
Porém, se continuarmos aceitando qualquer besteira que aparece, é o mesmo que nivelarmos nosso trabalho por baixo. E são iniciativas, como a sua, que dão esse pontapé inicial para essa mudança esperada por todos. Não adianta melhorar ou nivelar apenas os salários, tem que melhorar o conhecimento de maneira geral. Fechar curso que “emburrece” (um colega fez Microlins e, em 3 aulas de Flash já era “designer”), não aceitar qualquer trabalho. Mas também pagar o valor correto para o designer.
Se for para nivelar mesmo, que façamos o correto, nivelando o conhecimento das pessoas tanto quanto o salário.
Parabéns pela iniciativa!