Uma proposta de redesign de brasões

Variações (e distorções) na aplicação do brasão da cidade de Belém

Em 1936, a prefeitura de Zurique encomendou um redesenho do brasão da cidade e um programa completo da sua imagem visual. Esse programa incluía desde os papeis administrativos, sinalização, certificados, papelaria, brochuras, livros, convites, sacolas, publicações de festivais, formulários, relatórios anuais, calendários, catálogos, impressos, livros escolares, cartazes, programas, prospectos, vitrines, signos e símbolos, cédulas de votação.

O prefeito de Barcelona, Pasqual Maragall, também contratou um designer local para modernizar o brasão de Barcelona, que a sociedade ignorava. Foi feita uma suave estilização do emblema, nada excepcional, mas o suficiente para deixar o símbolo mais moderno e limpo. Ademais, o símbolo ficou mais adequado para a reprodução e aplicação através das tecnologias atuais. Como resultado do projeto,o brasão da cidade foi resgatado do anonimato e hoje é reconhecido e valorizado pela sociedade.

Apesar de setores tradicionais da sociedade não aceitaram mudanças nos símbolos da cidade ou do país, a verdade é que tudo envelhece e eles precisam ser revistos.

Como nos dois exemplos acima, Belém também tem um brasão envelhecido e esquecido. Nos poucos documentos oficiais em que ele é reproduzido, não há uma uniformidade na aplicação. Cada repartição têm sua própria variação do desenho. Mesmo que se tente, é difícil reconhecer o que está representado. Ninguém sabe seu significado, ele não faz parte do cotidiano do cidadão.

Diante dessas observações, dediquei um tempo a um projeto pessoal experimental que consistiu em contribuir com a cultura da cidade propondo um redesenho do brasão de Belém. Os elementos do brasão foram simplificados, os excessos de detalhes foram sacrificados para facilitar o entendimento e a reprodução. O resultado é um brasão mais atraente e moderno, mas que respeita toda a tradição significativa do símbolo da cidade.

FONTE SOBRE OS BRASÕES DE ZURIQUE E BARCELONA: “MARCA”, Francesc Petit. Editora Futura

Download do projeto completo aqui.

Mesma proposta aplicada também ao brasão da Univerdade Federal do Pará.
Onde a propósito gostei mais do resultado do que da proposta anterior.

Revirando uns livros antigos encontrei, por acaso, esse autêntico Brasão Familiar. Um registro raro e incomum, especialmente por termos explicado todo o significado atribuido as formas e cores do brasão.

Mais sobre símbolos heráldicos vindo de quem realmente entende do assunto

6 Respostas para “Uma proposta de redesign de brasões”


  1. 1 wagner costa 16 maio, 2008 às 5:32 pm

    Prezado colega
    Jorge Sá,

    Boa tarde,

    Em visita a esse blog deparei-me com a sua proposta de redesign do brasão de Belém. Belo trabalho. Realmente nos brasões de armas as figuras que compõem o escudo tem que ser de fácil assimilação, formas que diretas e objetivas que representem as peculiariedades das comunidades. Quanto a proposta de simplificação das formas dos desenhos nos quadrantes está perfeita. No entanto, a heráldica (ciência que estuda os brasões), de origem medieval, não permite o uso de tonalidades de cores, ou seja, as cores reais para os brasões são os esmaltes: azul, vermelho, verde, preto, púrpura; e seus metais: ouro e prata (representados respectivamente pelas cores amarela e branca). Cores como o laranja não são aceitos pela heráldica, apesar dos tempos evoluir e hoje com a demanda de cores e tons seria até possível. O problema do brasão de Belém no entanto, está além do que você viu. Falta adequação às leis da heráldica. Por exemplo: onde está a representatividade que Belém é uma capital de Estado? Onde está o topônimo da cidade? Podemos ver que existem outros fatores a serem vistos além da bela simplificação feita por você. Creio que se fosse adequado a sua idéia tendo como embasamento as regras heráldicas, o brasão seria perfeito. Para seu conhecimento, um brasão dito como perfeito é criado no máximo com duas cores: um metal e um esmalte. Outra, na heráldica não se sobrepõe metal sobre metal, nem esmalte sobre esmalte.

    Quanto à proposta do brasão da Universidade do Pará, posso ajudá-lo no seguinte tópico: na brasonaria, o escudo é a peça principal do brasão. Sem escudo não existe brasão. No entanto, tanto o criador original como você sobrepuseram a águia e o listel sobre o limite (ou borda) do escudo. Quanto ao restante, achei sua proposta super interessante. Nota 10.
    Sou design gráfico diplomado em artes plásticas pela UEMG, estudioso em brasões há mais de 20 anos, fiz o redesign do brasão de Belo Horizonte, tendo normalizado brasões de outras cidades. Meu último trabalho foi a bandeira do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais.
    Fico feliz em saber que colegas como você preocupam com os brasões, tão esquecidos nos tempos de hoje.

    Coloco-me ao inteiro dispor para quaisquer dúvidas pertinentes ao assunto.
    Sucesso.

    Prof. Wagner Costa
    (31) 9823-9371

  2. 2 Gildo Henrique 30 março, 2009 às 4:42 pm

    Comecei a pesquisar para o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Design Gráfico, tendo optado pelo processo de criação dos símbolos nacionais, com recorte sobre a influência da Heráldica Portuguesa e sobre o papel da Missão Francesa no Império.
    Deparo-me com este blog interessante, onde são propostos redesign de brasões.
    Gostei da modernização do Brasão da Capital do Pará: pregnância e minimalismo (redundância?); porém, falar em Heráldica nesse momento é desconsiderar todas as regras a ela inerentes na feitura de peças, normatizadas na Idade Média.
    É um belo (re)desenho, mas cor sobre cor, metal sobre metal e alguma falta de coerência semântica remetem-no à carnavalização de um ciência que levou um longo tempo para ser consolidada.
    Imagino a descrição dessa peça de acordo com o dicionário heráldico…

    • 3 Jorge Sá 30 março, 2009 às 4:56 pm

      Você está correto, eu desconsiderei toda a fundamentação heráldica. É bom ser alertado sobre isso pois, na verdade, eu desconhecia a existência dessa ciência ao fazer essas propostas. Vamos encara-los apenas como estudos e desenhos depretenciosos. Um abraço e boa sorte.

  3. 4 Jocélio 1 março, 2011 às 11:02 pm

    Boa Noite, primeiramente!

    Sr. Jorge antes de mais nada parabéns pela coragem que teve ao tratar de um assunto tão sério e pela seriedade que o Sr. teve dianta dele.

    E saiba que realmente agumas atitudes do Sr. requer conserto, mas só erra quem tenta e caso o Sr queira saber mais sobre o assunto visite no orkut.

    Cordialmente,

    Jocélio

  4. 5 José Carlos 16 maio, 2011 às 9:40 am

    Ilustre Prof Wagner Costa,

    Venho através deste humilde recado fazer uma singela pergunta, este brasão da família Meira, o mesmo citado acima é o original de portugal? ou foi recriado?

    Ficarei muito agradecido caso o Senhor tenha essa informação.

    Parabéns pelo trabalho, jamais será esquecido.

    Att,

    José Carlos

  5. 6 Jorge Sá 16 maio, 2011 às 10:33 am

    Prezado,

    Este é um impresso original de gráfica, encontrado dobrado dentro de um livro e não datado. Julgando pelo “prêto” com acento, pela diagramação irregular e pelo desgaste do papel, este impresso deve ter uma boa idade. Acredito que seja autêntico.

    Saudações,


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